Últimas 100 Atualizações do Website via Twitter:

Pesquise todo o conteúdo do website Horus Strategy abaixo:
Loading

terça-feira, junho 09, 2009

Acionistas Controladores e suas influências

Acionistas Controladores e suas influências

Esse tópico tem como objetivo chamar a atenção um fator pouco discutido ou analisado por investidores como nós, mas de suma importância para quem investe no longo prazo com postura em valor, que erradamente é conhecida como “buy and hold”.

Warren Buffet, o mais investidor do mundo, foi bem sucedido aplicando as idéias de seu mentor Benjamin Graham. Um número considerável de discípulos de Graham tiveram desempenho extraordinário, superando em muito o índice SP 500. Para maiores detalhes consultar: http://en.wikipedia.org/wiki/The_Superinvestors_of_Graham-and-Doddsville

Em um ponto específico, entretanto, Buffet discordava do seu mentor e dos investidores citados anteriormente. O chamado “Oráculo de Omaha” fazia questão de saber quem eram os acionistas controladores e/ou administradores da empresa. Ele podia (e pode) pagar muito mais caro numa empresa que tenha boa administração e gestores competentes e honestos. Para ele, as habilidades humanas são até mais importantes do que os números da empresa, medidos por P/L, P/VP, liquidez corrente, retorno sob patrimônio líquido, etc.

Pois bem, os investidores de longo prazo aqui sabem quem são os acionistas controladores ou majoritários das empresas que mantém em carteira?

Vou começar desafiando o leitor. Se eu te dissesse que a Vale é mais “estatal” do que parece e a Petrobrás é mais “privada” do que parece você acreditaria?

Começaremos pela Vale. O grupo controlador da Vale é o Valepar, que por sua vez é controlada pela Previ. O Previ, apesar de ser uma identidade privada, tem seu presidente indicado pelo presidente do Brasil. Um outro grande acionista da Vale é o BNDES, que também tem seu presidente indicado pelo presidente do Brasil. Ou seja, o Governo Brasileiro tem plenas condições de escolher o presidente ou diretores da Vale, uma vez ele controla o Previ e o BNDES, o primeiro sendo acionista majoritário e o segundo como grande acionista.

A conversa não para aqui. O Governo Federal tem 12 ações “diferentes”, nem preferências e nem ordinárias, da Vale que o possibilitam vetar qualquer projeto da mineradora. O leitor mais atento deve-se lembrar que quando a Vale incorporou a Inco ou tentou incorporar a Xtrasa, precisou da autorização do Governo. Assim sendo, o Governo pode vetar qualquer projeto da Vale, inclusive demissões (ninguém queira contar isso para o MST ou outros movimentos de esquerda, fica esse segredo entre nós rsss). Numa conversa privada que tive com um amigo meu, ele me disse “NOSSA!! Não sabia que a Vale era estatal !!!”.

Assim sendo, a Vale parece tão “estatal” quanto à Petrobrás. De fato, tanto a Vale quanto a Petrobrás têm muitos acionistas pessoas físicas, estrangeiros e com uma boa parte das ações em mãos de órgãos governamentais. Em termos percentuais, as duas empresas quase não tem diferença, mas a diferença vai aparecer forte no próximo parágrafo.

A maior diferença é que os controladores da Vale são a Previ e da Petrobrás é o Governo Federal. Seguindo a idéia de Warren Buffet, deveríamos nos informar sobre a Previ e constatar se ela realmente tem compromisso com os acionistas.

A minha opinião é que é muito melhor ter como acionista controlador o Previ do que o Governo Federal, uma vez que o primeiro é um fundo de pensão com interesse fortíssimo na valorização das ações bem como nos dividendos. Apesar do presidente da Previ ser indicado pelo presidente do Brasil, deve ser muito difícil um fundo de pensão que não procura valorização de ações e dividendos no longo prazo. Assim sendo, me sinto confortável em ter como sócio o Previ. Fica uma ressalva, entretanto. Quando a população velha do Brasil aumentar, é possível que esses fundões de pensão necessitem de mais capital e, eventualmente, devem buscar isso nas suas empresas.

Aqui gostaria de fazer uma consideração. Não é porque a empresa é estatal ou privada, arrojado ou conversadora, que ela é melhor ou pior do que outra. O mundo não é simples e generalizações normalmente não funcionam. A maior empresa em valor de mercado há algum tempo atrás era a PetroChina, estatal chinesa, que não para de crescer. A estatal venezuelana, entretanto, cada dia perde mais e mais. No Brasil, as ações da Petrobrás tem desempenho bastante parecidos com as ações da Vale se considerarmos período de 1994 até hoje.

Entendendo os acionistas controladores, fica muito mais fácil entender a empresa. Por exemplo, a Equatorial Energia (eqtl3) fez uma manobra recentemente diminuindo o capital da empresa e distribuindo o excedente para os acionistas. Oras, porque “diabos” ela fez isso? Quem comprou ações da empresa no começo do ano, já teve em torno de 18% de retorno de dividendo em menos de 6 meses. A minha idéia é que isso é uma imposição do grupo controlador, que é o Latin America Power S.A., de origem européia, com necessidade desse capital.

Não me entendam errado aqui, historicamente, empresas que distribuem dividendo são muito mais consistentes do que aquelas que não o fazem. Eu não estou criticando a empresa Equatorial, só estou sugerindo olhar “os donos” para tomada de decisão, bem como para entender alguns aspectos supostamente “inexplicáveis” no mercado de ações.

De qualquer forma, mandei uma pergunta muito bem fundamentada para o RI da empresa. Espero que eles me esclareçam essa questão de redução de capital.

Vamos continuar nossa discussão falando agora da Usiminas e da Gerdau. Nos útimos 10 anos a Gerdau aumentou muito em tamanho se comparado a Usiminas. Porque? Porque o grupo controlador da Usiminas, que é o Nippon Steel, tem origem japonesa e com administração muito mais conservadora. Assim sendo, essa influência chega à empresa e define várias de suas políticas. A Usiminas investiu muito pouco se comparada com a Gerdau nos últimos 10 anos (em termos relativos), mas pagou mais dividendo e tem hoje uma posição de caixa muito mais confortável.

Como disse antes, não é porque a Usiminas é mais conversadora que ela é pior do que a Gerdau. Um investidor em valor, estilo Ben Graham, poderia comprar ações da siderúrgica mineira em bons preços e receber seus dividendos com segurança para o resto da vida.

Diferentemente de Adolf Hitler, que fazia questão de defender todos os seus territórios conquistados mesmo os seus generais recomendando que ele desistisse de territórios sem importância como Portugal, o investidor deve analisar as situações menos unilateralmente e mais globalmente. Talvez ser sócio do “Governo” não seja tão ruim assim, afinal, o Governo sempre pode dar uma “mãozinha” para as empresas, a GM que o diga.

Por mim, não tenho problemas em ser sócio do “Lula”, pois considero ele muito inteligente e moderado. Não votei nele e não vamos falar de política, mas me parece que o Lula não tem histórico de “ferrar” com as estatais como o Hugo Chávez. Eu não confio no Eike Baptista, mas confiaria plenamente no Antonio Ermírio.

Dentro do mesmo contexto, mas mudando um pouco de assunto. Ás vezes alguns analistas recomendam ações simplesmente porque já têm participação naquela empresa. Ainda, alguns analistas ou instituições têm ligações com alguns empresas, por exemplo, o Credit Suisse fez a IPO da maior parte das empresas do Eike, logo é de se esperar recomendações não muito honestas em relação a essas mesmas empresas por parte do banco suíço. O Bradesco tem ações da Vale, através do Bradespar. A minha experiência diz que o melhor a fazer é ignorar totalmente algum analista que trabalhe para um mesmo grupo de pessoas. Eu ignoro todas as recomendações do Bradesco em relação a Vale, ignoro as do Itaú em relação à Duratex, ignoro as do Fundo Galleas em relação a Inepar e ignoro o Credit Suisse em qualquer empresa que ele tenha feito parte da IPO ou mesmo OPA. Esse parágrafo é muito importante. Se fosse para o leitor ignorar todos os outros parágrafos desse texto e escolher apenas um, eu recomendaria que se escolhesse esse aqui.

Em suma, para terminar, aconselho os investidores de longo prazo a conhecerem os donos das suas empresas. Além de aumentar o conhecimento, nos deixa mais atentos a alguns aspectos do mercado financeiro. Se você é investidor em valor e quer bons dividendos com segurança, faria todo sentido investir na Usiminas (em bons preços obviamente). Porque será que a OGXP que nunca produziu um barril de petróleo é muito mais comentada e recomendada do que a Comgás, empresa do índice Ibovespa? Porque os analistas recomendavam upsides tão fortes na Alll11 mesmo ela com P/L acima de 60 (sim, isso aconteceu, acreditem. A Alll11 estava em 29 reais e vários supostos analistas recomendando a empresa com upsides próximo de 80%). Procurem conhecer os seus acionistas majoritários e a estrutura do seu capital que vocês vão saber.

Texto publicado no orkut e reproduzido com autorização do autor Luiz G. Palma Neto:
http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=2277761&tid=5344148899421483768

Enviado pelo colaborador Bruno Zac

Bookmark and Share

0 Comments:

Postar um comentário

<< Home

Copyright © 2002 / 2014 HorusStrategy.com.br. Horus Strategy é marca registrada. Todos os direitos reservados.